
Aprender não é apenas decorar conteúdos.
Na infância, aprender também é criar vínculos, desenvolver linguagem, construir raciocínio, lidar com erros, ganhar autonomia e descobrir, aos poucos, como cada criança entende o mundo.
É por isso que o trabalho de aprendizagem desenvolvido no LAR vai além do reforço escolar. Nas oficinas de alfabetização, português e matemática, cada atividade é pensada para fortalecer a base educacional das crianças e adolescentes, respeitando seus ritmos, suas histórias e suas necessidades.
No Brasil, esse cuidado é urgente. Em 2025, o país alcançou 66% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental, segundo o Indicador Criança Alfabetizada, divulgado pelo MEC e pelo Inep. O avanço é importante, mas também mostra que muitas crianças ainda seguem para os próximos anos escolares sem a base plenamente consolidada.
Aprender no tempo certo não é acelerar
Garantir que uma criança aprenda no tempo certo não significa apressar etapas. Significa respeitar seu desenvolvimento cognitivo, emocional e social, sem perder de vista as demandas da escolarização formal.
Como explica Regina Elisa Sá Rocha Wahba, coordenadora do projeto de recuperação de aprendizagem do LAR, pedagoga e jornalista, especialista em escrita, educação lúdica, alfabetização e coordenação, psicanalista e formadora de professores:
“Na educação de crianças, é necessário entender que, além dos conteúdos formais, ela deverá aprender procedimentos, vínculos, comunicar-se, desenvolver postura de estudante, limites da vida em grupo, aprender como aprende e a lidar com seus erros dentro do processo de desenvolvimento.”
Na prática, a criança aprende quando lê, escreve e calcula, mas também quando brinca, observa, erra, tenta de novo, convive e se sente segura para participar.
Relatórios internacionais sobre educação mostram que a pandemia aprofundou a chamada pobreza de aprendizagem, que mede a dificuldade de crianças em ler e compreender um texto simples até os 10 anos. Esse cenário reforça a importância de ações contínuas de recuperação de aprendizagem e acompanhamento pedagógico.
Alfabetização: a base para todos os outros aprendizados
A alfabetização é uma das etapas mais importantes da vida escolar. Quando uma criança aprende a ler e escrever com segurança, ela ganha autonomia para acessar todas as outras áreas do conhecimento.
Para Marcela Machado Haddad, professora de alfabetização do LAR, formada em História e Pedagogia e com 38 anos de experiência em sala de aula em escolas públicas e particulares de São Paulo:
“A alfabetização é o alicerce para a educação formal. Ela permite que os estudantes conquistem maior autonomia para construir novos conhecimentos.”
Hoje, um dos principais desafios é recuperar a defasagem acumulada nos últimos anos. Muitas crianças avançaram de série sem consolidar a leitura e a escrita, o que afeta sua confiança, seu rendimento escolar e sua relação com o aprendizado.
No LAR, esse processo é fortalecido com incentivo, acompanhamento e compromisso. Cada conquista, individual ou coletiva, importa.
Leitura: imaginar também é aprender
A leitura amplia vocabulário, estimula a imaginação e ajuda a criança a conhecer diferentes formas de viver, pensar e se relacionar.
Como explica Maria Laura Coin de Carvalho Fernandez, professora de português do LAR, pedagoga pela USP, especializada em leitura e formação de leitores, pós-graduada em Distúrbios de Aprendizagem e pesquisadora de livros de literatura para crianças e jovens:
“A leitura e o contato com histórias desenvolvem a capacidade de imaginar e conhecer novos modos de viver. Quem lê aprende a respeitar as diferenças e a ver outras formas de organizar o mundo e a sociedade.”
Pesquisas brasileiras sobre leitura de histórias e desenvolvimento da linguagem mostram que programas interativos de leitura podem contribuir para o desenvolvimento da linguagem oral e escrita de crianças, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.
Ler, portanto, não é só uma atividade escolar. É uma forma de ampliar repertório, fortalecer pensamento crítico e aprender a interpretar o mundo.
Matemática: raciocínio lógico começa no cotidiano
A matemática está presente muito antes da conta no papel.
Ela aparece quando uma criança divide ingredientes em uma receita, compara tamanhos, organiza peças, conta pontos, mede espaços, monta uma torre ou pensa em uma estratégia para vencer um jogo.
Denise Velloso Corbett Geretto, professora de matemática do LAR, tem formação no Magistério, formação voltada à preparação de professores e referência para atuação em sala de aula na época em que se formou. Para ela, o raciocínio lógico é desenvolvido em vários momentos do dia a dia:
“Quando a criança ajuda na preparação de uma receita, por exemplo, ela entra em contato com quantidades, cálculo de ingredientes e começa a desenvolver noções de fração, proporcionalidade e medidas, mesmo que intuitivamente.”
Nas oficinas de Matemática, essas experiências se transformam em conceitos mais estruturados. Ao contar pontos, peças ou movimentos, os alunos trabalham números naturais. Ao somar ou subtrair resultados, concretizam operações. Nos jogos de tabuleiro, desenvolvem noções de espaço, geometria, estratégia, antecipação e planejamento.
Como reforça Denise:
“Os jogos são uma ótima alternativa para aumentar a motivação, estimular a participação, organização, concentração, raciocínio lógico e cooperação.”
Estudos sobre jogos e aprendizagem matemática também indicam que atividades lúdicas e jogos de estratégia podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades como planejamento, tomada de decisão e raciocínio lógico.
Por que isso importa para o futuro?
Os desafios educacionais do Brasil mostram que aprender no tempo certo ainda é um caminho desigual. No PISA 2022, avaliação internacional da OCDE, o desempenho dos estudantes brasileiros ficou abaixo da média dos países da OCDE em matemática, leitura e ciências.
Por isso, fortalecer a aprendizagem na infância e na adolescência é uma forma de agir antes que a defasagem se torne exclusão.
No LAR, alfabetização, leitura, português, matemática, jogos e acompanhamento pedagógico criam caminhos para que crianças e adolescentes desenvolvam competências que vão acompanhá-los por toda a vida.
Eles aprendem a ler textos, mas também a ler o mundo.
Aprendem a fazer contas, mas também a organizar pensamento.
Aprendem a escrever palavras, mas também a nomear o que sentem, o que desejam e o que podem construir.
No fim, aprendizagem é isso: uma criança descobrindo que é capaz.
E, quando uma criança descobre que é capaz, o futuro deixa de ser uma promessa distante e começa a acontecer no presente.
Como apoiar
Apoiar o LAR é fortalecer a alfabetização, a leitura, a matemática e a autonomia de crianças e adolescentes que precisam de oportunidades reais para aprender no tempo certo.
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